No início de 1999, o técnico em mecânica
Rosnel Wolney Leite, 38 anos, causou furor entre os amantes dos veículos
fora-de-estrada brasileiros ao anunciar que voltaria a fabricar o falecido
jipe nacional Engesa, a partir de um lote de peças "zero
bala" remanescente da antiga montadora. A Envesa (Engenharia de
Veículos e Reboques Ltda.), empresa de Rosnel Leite em Londrina-PR,
cujo nome passou a designar também o jipe, promoveu inclusive
o lançamento oficial de seu veículo, durante o Festival
Brasil Off-Road, realizado em São Paulo-SP, no ano passado. Porém,
de lá para cá, pouco se ouviu falar sobre a empresa além
de especulações e a curiosidade dos órfãos
da Engesa em torno do novo jipe é cada vez maior. Minas Off-Road
foi então atrás de Rosnel Leite para acabar de vez com
o mistério em torno do Envesa. Através de telefone / fax,
o dono da Envesa concedeu-nos a entrevista a seguir.
Antes
de investir no Envesa, você já atuava no ramo automobilístico?
Que motivos levaram-lhe a investir neste setor?
>> Rosnel Leite: Sim; já fabricávamos há
vários anos latarias para as linhas Willys e DKW, bem como centenas
de itens de peças mecânicas. Sempre tive a idéia
de produzir um veículo e já tinha fabricado, com o passar
dos anos, alguns protótipos. Em 1998, chegou às nossas
mãos todo lote de peças leiloado pela massa falida da
Engesa. Considero o segmento de 4x4 no Brasil muito próspero.
Passado
um ano desde o lançamento oficial da Envesa, ocorrido durante
o Festival Brasil Off-Road de 1999, pouco se ouviu falar sobre a empresa
além de especulações da imprensa especializada.
Afinal, como anda a produção do jipe? Quantos carros estão
sendo produzidos por mês?
>> Leite: O fato de não se falar muito dos nossos veículos
é devido a estarmos evitando propaganda, motivados pelos pedidos
de interessados em adquirir os veículos que montamos. Nossa produção
ainda não está adequada à demanda, portanto, quanto
mais propaganda, mais pessoas se interessarão em adquirir jipes
Envesa e isso dificultará mais ainda a entrega. "Pior que
não ter para quem vender o produto é ter quem quer comprar
e não conseguir entregar." Nossa produção
ainda não é constante, devido a problemas de fornecimento
de alguns componentes, o que acarreta atrasos na fabricação
dos jipes.
As
primeiras 120 unidades do jipe Envesa, construídas a partir das
peças adquiridas da antiga Engesa, já foram todas comercializadas?
>> Leite: Não. O que veio da Engesa foram apenas peças
de carroceria e, como estamos produzindo todos os itens da carroceria,
intercalamos as peças para facilitar a montagem.
A
Envesa já possui representantes / concessionários em outras
partes do País?
>> Leite: Não, pelo fato de não conseguirmos fazer
estoques para suprir representantes ou autorizadas.
Qual deve ser o procedimento do consumidor interessado em adquirir
um veículo da marca?
>> Leite: Deverá entrar em contato com a fábrica,
em Londrina-PR, através do telefone (43) 324 7655. Daremos todas
as informações e esclareceremos possíveis dúvidas.
Existem unidades do jipe Envesa para pronta entrega ou é necessário
encomendar e aguardar a fabricação do carro?
>> Leite: Não. Todo veículo fabricado já
sai direto para o proprietário.
Os
novos Envesa apresentam modificações em sua carroceria
em relação aos antigos Engesa? Quais são?
>> Leite: Ainda se mantêm quase idênticos aos antigos
jipes Engesa.
Que
opções de motorização são oferecidas
para os jipes Envesa?
>> Leite: Somente a Diesel, motor Maxxion de 4 cilindros e 90
hp, aspirado.
Após
o lançamento da Envesa, correu pelo Brasil a notícia de
que a versão básica do jipe (que viria, inclusive, sem
capota) estaria sendo vendida a 32 mil Reais. Você confirma estas
informações? Qual a configuração desta versão
básica?
>> Leite: Nossos jipes custam hoje R$ 36.500,00, inclusos quatro
opcionais (capota de lona conversível, banco traseiro, direção
hidráulica e embreagem hidráulica). Se deduzirmos estes
quatro opcionais, o preço deverá baixar para 33 mil Reais,
que seria o valor da versão básica.
O
material publicitário distribuído pela Envesa durante
o Festival Brasil Off-Road de 99 explicitava a intenção
da empresa de fabricar ìo veículo 4x4 nacional de mais
baixo preçoî. No mercado dos 4x4 Diesel, já temos
hoje os modelos T4 Diesel, equipados com o moderno motor MWM 2.8, fabricados
pela cearense Troller, cuja versão básica, encontrada
para pronta entrega, vem sendo comercializada a um preço em torno
dos 35 Mil Reais. Você acredita que o modelo citado "roubará"
possíveis clientes da Envesa. A Envesa pretende rever seus preços?
>> Leite: Em primeiro lugar, eu não acredito que o referido
veículo deverá ser vendido pelo preço citado e
sim por algo em torno de 42 mil Reais. O valor a que você se refere
é do veículo versão a gasolina. Não acredito
que venhamos a perder vendas para a referida empresa, visto que o perfil
dos interessados em adquirir os dois tipos de jipe é bem distinto
um do outro. Quanto aos valores praticados hoje pela Envesa, são
os menores do mercado brasileiro. Não tenho conhecimento de nenhum
veículo 4x4 a Diesel com preço mais baixo que o dos nossos
jipes, tomando por base o nosso preço básico de 33 mil
Reais.
Nota da Redação: O valor do Troller T4 Diesel apontado
na pergunta foi obtido através de pesquisa feita em diversas
tabelas de preço publicadas por órgãos de imprensa.
As
vendas do jipe Envesa vêm correspondendo às suas expectativas?
Analisando as vendas desde o lançamento até agora, qual
sua previsão em relação ao tempo a ser gasto na
recuperação do capital inicial investido na Envesa (um
milhão de Reais, conforme você mesmo divulgou em entrevista
a importante órgão da imprensa especializada no segmento
off-road)?
>> Leite: Totalmente acima das expectativas. Esta pergunta é
muito complexa. Sintetizando, uma fábrica está constantemente
tendo que adquirir máquinas, ferramentas, estoques de montagem
e reposição, gabaritos, moldes e até tendo que
ir ampliando seu espaço físico para fabricação,
montagem, estocagem etc. Portanto, sempre estamos investindo mais e
mais; posso dizer que é um buraco sem fundo. Sempre estamos vendendo
e adquirindo. É provável que tenhamos investido mais do
que vendemos, porque partimos do ponto zero.